Memórias (Pt. 4)

E continuando algo que foi começado há quase um ano… aqui vos deixo a 4ª e última parte desta série. A 3ª parte foi postada em Outubro, mas salvo erro foi escrita em Março.

Os tempos seguintes decorreram com normalidadde. Beatriz estava refeita do susto que tinha apanhado e quem sabe, não voltaria a ter ideias como a que tinha tido em tempos. Quer dizer, pensava eu. Já não poderia esperar nada dela, ou melhor, poderia esperar tudo. Como já referi, ou era um anjo pronto a ajudar o próximo, ou era um diabo capaz de passar por cima de todos. Mas passemos á frente… Beatriz tinha arranjado um emprego e isso ajudou inclusivé na estabilidade emocional dela. Começou a ter noções de responsabilidade, que deveria, na minha opinião, ter adquirido antes e mostrava mais compreensão a certos níveis. No entanto quando chegou ao final de contrato e foi dispensada, devido a reduções de pessoal, voltou tudo ao mesmo. Continuava nervosa, irritava-se com facilidade, e até eu passei a ter apenas defeitos, não havia nada que eu fizesse que lhe agradasse. Não a conseguia fazer sorrir por nada. Até que um dia discutimos a sério por telefone e ela se ameaçou suicidar, já tinha tentado uma vez e parecia ter aprendido… ou não! Sei que na altura não liguei muito e desliguei-lhe o telefone na cara. Foi com pesar que os pais dela me disseram dias depois que ela tinha falecido. Desta vez nem eles tinham levado o aviso a sério e deram-lhe uma enorme descompostura. Beatriz reconheceu que estava a ser infantil, e aproveitando uma ausência dos pais, bebeu o mais que pode. Pegou no carro e obviamente que não estando em condições, não evitou uma colisão frontal. Talvez agora descansasse em paz, paz essa que nunca teve ao longo da sua existência, que muitas vezes chamou de errante.

[FIM]

~ por Nuno em Novembro 15, 2008.

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